Tenho saudades da Póvoa (do Varzim), saudades do mar agreste, da humidade matinal, do céu estrelado e de um longo passeio na marginal. Lembro-me dos restaurantes de bom gosto, das casas a um estilo fin de siécle, das pessoas que se aprumavam na ostentação do bom trabalho ourives. As recordações pedem que sejam revividas em novos tempos :)
Wednesday, October 17, 2007
Na Póvoa
Tenho saudades da Póvoa (do Varzim), saudades do mar agreste, da humidade matinal, do céu estrelado e de um longo passeio na marginal. Lembro-me dos restaurantes de bom gosto, das casas a um estilo fin de siécle, das pessoas que se aprumavam na ostentação do bom trabalho ourives. As recordações pedem que sejam revividas em novos tempos :)
Monday, October 15, 2007
De algumas coisas
Numa breve associação de ideias cheguei à conclusão que o amor é como a condução, acabamos por ganhar hábitos e já fazemos as coisas inconscientemente mas se não prestarmos atenção a todo o momento da condução, acabamos por ter um acidente :)Já agora, vale a pena ver o filme "the bow", é coreano e muito interessante, de uma simplicidade e mudez que muito fala.
Outro ponto... o guia da noite... mmmmmm.... muito interessante a todos os níveis.
aaaaah
Wednesday, October 10, 2007
Tuesday, October 09, 2007
Ai os lírios
Não dá mesmo para fazer planos, por isso resta viver um dia de cada vez e, como se vive um dia de cada vez sem planear?Diria alguém, olhai os lírios do campo, mas os lírios não se perturbam por si, não fantasiam, não idealizam, não ensejam... se lhes tirarem a terra e o sol, o que lhes acontece? Por isso não quero ser lírio, algures no tempo começaria a pensar no meu sol e apareceriam nuvens e vento, pensaria na terra e viriam as pragas do Egipto, quereria ouvir o vento e ele se ausentaria.
Por mais que resista terei que aprender.
Acordai
Hoje ouvi uma heróica de Fernando Lopes Graça, com a fabulosa letra de José Gomes Ferreira. Para quem conhece, a música arrepia mesmo e a mensagem...
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
Monday, October 08, 2007
três dias
Estes dias foram de azáfama, a celebração da República foi substituida por outra, digamos, bem mais importante de 33 anos; o fim-de-semana, numa bela companhia de quase cinco anos, foi recheada de bons momentos, cinema, passeio e sol mas, com tantas voltas que o fim de dia, no domingo, chegou com queda directa ao sofá. Nota: a minha pequerrucha ainda me ensinou a jogar D&D e gostou bastante de ouvir um pequeno concerto de música sacra no Chiado.Fica aqui uma passagem do Stardust, uma bela lição:
Yvaine: You know when I said I knew little about love? That wasn't true. I know a lot about love. I've seen it, centuries and centuries of it, and it was the only thing that made watching your world bearable. All those wars. Pain, lies, hate... It made me want to turn away and never look down again. But when I see the way that mankind loves... You could search to the furthest reaches of the universe and never find anything more beautiful. So yes, I know that love is unconditional. But I also know that it can be unpredictable, unexpected, uncontrollable, unbearable and strangely easy to mistake for loathing, and... What I'm trying to say, Tristan is... I think I love you. Is this love, Tristan? I never imagined I'd know it for myself. My heart... It feels like my chest can barely contain it. Like it's trying to escape because it doesn't belong to me any more. It belongs to you. And if you wanted it, I'd wish for nothing in exchange - no fits. No goods. No demonstrations of devotion. Nothing but knowing you loved me too. Just your heart, in exchange for mine.
Sunday, October 07, 2007
O Juramento do Árabe
Baçus, mulher de Ali, pastora de camelas,
Viu de noite, ao fulgor das rútilas estrelas,
Vail, chefe minaz de bárbara pujança,
Matar-lhe um animal. Baçus jurou vingança,
Corre, célere voa, entra na tenda e conta
A um hóspede de Ali a grave e inulta afronta,
"Baçus, disse tranquilo o hóspede gentil,
Vingar-te-ei com meu braço, eu matarei Vail."
Disse e cumpriu.
Foi esta a causa verdadeira
Da guerra pertinaz, horrível, carniceira
Que as tribos dividiu. Na Luta fratricida,
Omar, filho de Anru, perdera o alento e a vida.
Anru, que lanças mil aos rudes prélios leva,
E que, em sangue inimigo, irado, os ódios ceva,
Incansável procura, e é sempre em balde, o vil
Matador de seu filho, o traidor Mualhil.
Uma noite, na tenda, a um moço prisioneiro,
Recém-colhido em campo, o indómito guerreiro
Falou, severo, assim:
" Escravo, atende e escuta:
Aponta-me a região, o monte, o plaino, a gruta,
Em que vive o tridor Mualhil, diz a verdade;
Dá-me que o alcance vivoi, e é tua a liberdade!"
E o moço perguntou:
"É por Alá que o juras?"
"Juro" - o chefe tornou -
"Sou o homem que procuras!
Mualhil é o meu nome, eu fui que espedacei
a lança de teu filho, e aos pés o subjuguei!"
E intrépido, fitava o atónito inimigo.
Anru volveu: "És livre, Alá seja contigo!"
Gonçalves Crespo, de "Nocturnos"
Viu de noite, ao fulgor das rútilas estrelas,
Vail, chefe minaz de bárbara pujança,
Matar-lhe um animal. Baçus jurou vingança,
Corre, célere voa, entra na tenda e conta
A um hóspede de Ali a grave e inulta afronta,
"Baçus, disse tranquilo o hóspede gentil,
Vingar-te-ei com meu braço, eu matarei Vail."
Disse e cumpriu.
Foi esta a causa verdadeira
Da guerra pertinaz, horrível, carniceira
Que as tribos dividiu. Na Luta fratricida,
Omar, filho de Anru, perdera o alento e a vida.
Anru, que lanças mil aos rudes prélios leva,
E que, em sangue inimigo, irado, os ódios ceva,
Incansável procura, e é sempre em balde, o vil
Matador de seu filho, o traidor Mualhil.
Uma noite, na tenda, a um moço prisioneiro,
Recém-colhido em campo, o indómito guerreiro
Falou, severo, assim:
" Escravo, atende e escuta:
Aponta-me a região, o monte, o plaino, a gruta,
Em que vive o tridor Mualhil, diz a verdade;
Dá-me que o alcance vivoi, e é tua a liberdade!"
E o moço perguntou:
"É por Alá que o juras?"
"Juro" - o chefe tornou -
"Sou o homem que procuras!
Mualhil é o meu nome, eu fui que espedacei
a lança de teu filho, e aos pés o subjuguei!"
E intrépido, fitava o atónito inimigo.
Anru volveu: "És livre, Alá seja contigo!"
Gonçalves Crespo, de "Nocturnos"
Friday, October 05, 2007
Por Burma
International bloggers are preparing an action to support the peaceful revolution in Burma. We want to set a sign for freedom and show our sympathy for these people who are fighting their cruel regime without weapons. These Bloggers are planning to refrain from posting to their blogs on October 4 and just put up one Banner then, underlined with the words „Free Burma!“.more here...
A liberdade não deve ser apenas um conceito, um objectivo pessoal ou uma questão de moda, deve começar interiormente, pela vontade de ser um direito, até para aqueles que nós achamos que não a merecem.
Thursday, October 04, 2007
Tuesday, October 02, 2007
Dia da não violência
Porque a violência começa em nós próprios para com nós próprios e para com os que nos são próximos. Violência física nem sempre é a pior.
Sunday, September 30, 2007
reflexos
Conversavam, alegremente, entre garfadas e uns copos. Ele, brincalhão, com ar reguila da mocidade que vibra ao vento de carros rápidos; Ela, com o olhar de mais uns anos em cima, pele seca feita de lençol branco cheio de estrelas. A sua mão movia-se num gesto carinho, quase afagando o cabelo curto dele e ele ria-se. Novamente, quase um toque, desta vez no rosto e o riso dele permanecia.Ele olhava-a, agora, atentamente. Os seus olhos reflectiam interrogação, quiçá, carinho. Estavam de frente um para o outro, o beijo era esperado a qualquer altura, o abraço tornar-se-ia longo, aquecido pelo desejo despertado a sabores de vinho. O seu braço estendeu-se e ela não estava lá.
Olhando, mais atentamente, ela era etérea, fugaz, um reflexo no vidro que produziu toda a história em que quis acreditar. Na verdade, nenhum dos dois se conheceu, tudo era uma coreografia de salas opostas, que por algum acaso resultou. Ela estava sentada ao meu lado, não me lembro do seu nome.
Friday, September 28, 2007
E aí vai
Thursday, September 27, 2007
Wednesday, September 26, 2007
Nestes dias
Por estes dias, tantas coisas acontecem que as palavras ficam para trás. O tempo torna-se num exercício de gestão, as tarefas entram e saem, equalizo os vários níveis de prioridades e reservo sempre um espaço especial, único e absoluto para duas. Confesso que nos dias de hoje é muito fácil perder o norte do que é importante, é muito fácil deixar de ouvir e sentir, há tanto para fazer e tanto mais ficará por fazer. Com tempo vejo que a idade traz mesmo sabedoria, que a experiência de vida enriquece, que todos os pesos se tornaram em candeias que me iluminam o caminho diário.Nestes tempos poucas coisas têm sido fáceis e vejo tanto que se esfuma no que eu pensava que seria meu ou no que achava que tinha já atingido. Os planos mudam constantemente e a minha vontade vai-se diluindo, de uma forma anestésica vou deixando de querer e também de me preocupar em querer. Nestes dias vou sendo, sou e o tempo está além. Essencialmente sei qual o meu fim, a minha estação terminal a questão está apenas entre os apeadeiros e alguns tuneis um pouco mais longos. Muitas vezes a viagem faz-se só, apesar de alguns estarem presentes, é uma questão de atenção.
Tuesday, September 25, 2007
Uma prenda
Vem do outro lado do mar, de uma distância longa mas que todos os dias está tão perto. Há amigos assim, tão raramente apartados.Quando escrevo, repito o que já vivi antes.Mais aqui...
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens.
João Guimarães Rosa
Heartbeats
Há muito tempo que não ouvia musica no quarto, esta foi uma das da playlist.
Heartbeats - Jose Gonzales
one night to be confused
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then away
both under influense
we had devine scent
to know what to say
mind is a razorblade
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
one night of magic rush
the start a simple touch
one night to push and scream
and then releaf
ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
and you, you knew the hands of the devil
and you, kept us awake with wolf teeths
sharing different heartbeats
in one night
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
Heartbeats - Jose Gonzales
one night to be confused
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then away
both under influense
we had devine scent
to know what to say
mind is a razorblade
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
one night of magic rush
the start a simple touch
one night to push and scream
and then releaf
ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
and you, you knew the hands of the devil
and you, kept us awake with wolf teeths
sharing different heartbeats
in one night
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
Sunday, September 23, 2007
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