Friday, November 16, 2007
Edith Wharton
Um minuto para reflexão?"Há duas maneiras de espalhar a luz: ser a vela ou o espelho que a reflecte."
"Cuidado com a monotonia, é a mãe de todos os pecados mortais."
Edith Wharton
Sobre ela, aqui...
Tuesday, November 13, 2007
Generais Romanos
O império romano foi criado e mantido através do seu exército, uma das mais eficazes e poderosas forças militares em toda a História, e do engenho e arte dos seus generais. De Scipio, Africanus que combinava o misticismo com uma determinação de ferro; a Aemilius Paullus, o conquistador da Macedónia; a Caesar, um líder agressivo e carismático, até Trajano o último grande conquistador, o historiador militar Adrian Goldsworthy narra, através destes generais, a história do Império Romano, a evolução do seu exército e do sistema político que o dirigia. De vitória em vitória, de conquista em conquista, estes generais foram figuras fundamentais na história de Roma. As suas tácticas, capacidade de liderança e decisões estratégicas marcaram durante séculos a arte da guerra. Mas, muitas vezes os homens que comandavam legiões dominavam também o Estado em tempos de paz.
Monday, November 12, 2007
Na cimeira
Ontem vi, com bastante agrado, o Rei Juan Carlos a mandar calar aquela coisa que se chama Chávez e, por infortunio da imbecilidade, é presidente da Venezuela. Não dá para perceber como num país como a Venezuela há uma pessoa daquelas no poder e como continua a fazer tudo o que lhe apetece? Não tem mínimamente nada a ver com comunismo ou qualquer outra ideologia, tem apenas a ver com o poder que deseja, com os tentáculos do compadrio, tudo bem oleado com o dinheiro do petróleo que ao invés de melhorar a qualidade de vida dos venezuelanos apenas serve para encher os bolsos a uns e a comprar a aprovação dos países limitrofes. Não me admiro nada que qualquer dia até escancare as portas a outros habitantes mundiais que gostam de vestir roupas com TNT, quando vir que o seu poder começa a estar em risco.
Por isso, parabéns a Espanha que tanto lidou com educação por parte de Zapatero como soube dar a devida estalada, pena que os restantes se submetam ao medo por terem emigrantes lá ou necessitarem do petróleo.
Por isso, parabéns a Espanha que tanto lidou com educação por parte de Zapatero como soube dar a devida estalada, pena que os restantes se submetam ao medo por terem emigrantes lá ou necessitarem do petróleo.
Friday, November 09, 2007
Nas manhãs
Thursday, November 08, 2007
Para animar a malta
Numa qualquer manhã, um qualquer ser,
vindo de qualquer pai,
acorda e vai.
Vai.
Como se cumprisse um dever.
Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos;
nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar.
E em seu impessoal desejo latejam todos os restos
de quantos desejos ficaram antes por desejar.
Abre os olhos e vai.
Vai descobrir as velas dos moinhos
e as rodas que os eixos movem,
o tear que tece o linho,
a espuma roxa dos vinhos,
incêndio na face jovem.
Cego, vê, de olhos abertos.
Sozinho, a multidão vai com ele.
Bagas de instintos despertos
ressuma-lhe à flor da pele.
Vai, belo monstro.
Arranca
as florestas com os teus dentes.
Imprime na areia branca
teus voluntariosos pés incandescentes.
Vai
Segue o teu meridiano, esse,
o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais;
o plano de barro que nunca endurece,
onde a memória da espécie
grava os sonos imortais.
Vai
Lábios húmidos do amor da manhã,
polpas de cereja.
Desdobra-te e beija
em ti mesmo a carne sã.
Vai
À tua cega passagem
a convulsão da folhagem
diz aos ecos
«tem que ser».
O mar que rola e se agita,
toda a música infinita,
tudo grita
«tem que ser».
Cerra os dentes, alma aflita.
Tudo grita
«Tem que ser».
Wednesday, November 07, 2007
Há tanto tempo
Já há tanto tempo que não ouvia isto... ai a nostalgia :)
Dunas - GNR
Dunas, são como divãs
Biombos indiscretos de alcatrão sujo
Rasgados por cactos e hortelãs
Deitados nas dunas
Alheios a tudo
Olhos penetrantes
Pensamentos lavados
Bebemos nos lábios
Refrescos gelados
Velamos segredos
Saltamos rochedos
Em câmara lenta
Como na TV
Palavras a mais
Na idade dos porquês
Dunas, são como divãs
Quem nos visse deitado, cabelos molhados
Bastante enrolados, sacos cama salgados
Nas dunas
Roendo maçãs
A ver garrafas de óleo boiando vazias
Nas ondas da manhã
Bebemos nos lábios
Refrescos gelados - nas duas
Em câmara lenta
Como na TV - nas dunas
Dunas - GNR
Dunas, são como divãs
Biombos indiscretos de alcatrão sujo
Rasgados por cactos e hortelãs
Deitados nas dunas
Alheios a tudo
Olhos penetrantes
Pensamentos lavados
Bebemos nos lábios
Refrescos gelados
Velamos segredos
Saltamos rochedos
Em câmara lenta
Como na TV
Palavras a mais
Na idade dos porquês
Dunas, são como divãs
Quem nos visse deitado, cabelos molhados
Bastante enrolados, sacos cama salgados
Nas dunas
Roendo maçãs
A ver garrafas de óleo boiando vazias
Nas ondas da manhã
Bebemos nos lábios
Refrescos gelados - nas duas
Em câmara lenta
Como na TV - nas dunas
Onde está o Outono?
Sunday, November 04, 2007
Shoot 'em up
No museu do trajo
Saturday, November 03, 2007
Toledo - Madrid, que ricas férias
Para uma viagem destas ficam alguns conselhos:1) levar um bom mapa de Madrid, porque os madrilenos não fazem a mínima ideia de onde estão, ou um GPS;
2) levar líquido anti-mosquitos para colocar no limpa-vidros do carro, porque os mosquitos espanhóis têm tendências de suicidio em massa;
3) aumentar a tolerância ao trato em restaurantes e lojas (e ainda reclamamos do serviço cá, ui ui.);
4) grande resistência aos fritos...
De resto, Toledo e Madrid são muito bonitas, deu para preencher bastante o hemisfério direito com boas obras de arte, com o sabor da noite amena e, sem dúvida, de barriga cheia. Faltaram os caramillos, que não sei o que lhes aconteceu, devem ter todos emigrado para Portugal. Fiquei ainda bastante contente com a aquisição do livro da exposição "pintura do século XIX em Espanha", do Prado. E, sem dúvida, tudo em boa companhia.
Com o frio à porta
Ciclicamente damos uma olhada ao guarda-roupa, é preciso comprar mais algumas coisas para uma nova estação que chega e o roupeiro vai-se enchendo. Hoje é o dia em que vou "aliviar" o roupeiro de umas quantas peças que ainda mantenho por alguma razão já quase desconhecida e vou doá-las.Geralmente costumo colocar nos contentores da Humana, um deles mesmo à porta de casa. Faço-vos, também, esse apelo, vejam o vosso roupeiro e o que não quiserem dêem.
O site da Humana aqui...
Creio que no colombo também têm um contentor (são verdes, como o da fotografia) se não encontrarem podem dar-me que eu coloco nos que conheço.
Friday, October 26, 2007
Medo (Quem dorme à noite comigo?)
Quem dorme à noite comigo?É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!
E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.
Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?
Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.
Poema de Reinaldo Ferreira
Thursday, October 25, 2007
É uma besta!
Na TSF há um programa que se chama "Tubo de Ensaio"
Aquecimento Global
"Enfia-se um saco de plástico na cabeça do reumático e manda-se ao rio"
"Dá-se milho roxo" (veneno para os ratos)
"Com aquecimento global o reumático vira um inutil porque já não se pode queixar".
O Bruno Nogueira, além da falta de graça, que lhe parece ser inata, parece querer puxar ao máximo do absurdo, o ridículo da pessoa que é.
Vale a pena ouvir e criticar para o Director da TSF!
Aquecimento Global
Noticiários em jeito de stand-up, entrevistas ficcionadas, temas "quentes", coisa que irritam, projectos para o futuro, figuras públicas que fazem habilidades na rádio, soluções para os principais problemas da humanidade e muitas outras experiências para ocupar três minutos de rádio... sob a batuta de Bruno Nogueira.Ora o programa de hoje foi sobre o "aquecimento global" no qual ao gosto da piada, vá-se lá saber de onde, sobre reumáticos:
"Enfia-se um saco de plástico na cabeça do reumático e manda-se ao rio"
"Dá-se milho roxo" (veneno para os ratos)
"Com aquecimento global o reumático vira um inutil porque já não se pode queixar".
O Bruno Nogueira, além da falta de graça, que lhe parece ser inata, parece querer puxar ao máximo do absurdo, o ridículo da pessoa que é.
Vale a pena ouvir e criticar para o Director da TSF!
Stick it
Wednesday, October 24, 2007
Monday, October 22, 2007
Time changer
Medium
Este homem merece o céu, o dos ateus, agnósticos e o de todas as religiões... é um santo. oooooh.... que paciência!
Foi preenchido
O fim-de-semana foi fabuloso! A Ericieira estava um paraíso de pouca gente, sol agradável e uma brisa fresca e reconfortante. O Amadora Cartoon decepcionou, mais uma vez, fraca qualidade dos materiais expostos, numa quantidade cada vez mais reduzida. E depois vieram os aninhos da tanina e os amigos em casa, isso sim, um pouco de céu na terra. A tarde foi preenchida com Bourne Ultimatum - fabuloso, a adrenalina atingiu o máximo, a acção não parou e esta conclusão da trilogia era necessária. É claro que foi em boa companhia que rematou com a prova de um fondue de chocolate, morangos e manga (no colombo).Por fim, uma noite de sushi caseiro, muitos parabéns à cozinheira porque estava tudo fabuloso e ainda houve tempo para um muito bom final de noite.
Sunday, October 21, 2007
De espanto
Sábado, no colombo, andava uma mulher de burka. É assustador! Era algo totalmente forrado a preto, incluindo mãos, e apenas se vislumbrava uma ligeira tira de pele de onde sobressaíam olhos pretos. O marido e os filhos estavam vestidos como ocidentais mas, aquela "coisa" que passou à minha frente era apenas um manto de sombra. Ensombrado fiquei eu, nós que por estes lados estamos habituados a ver caras, por vezes não ligando a corações, nós que veneramos o "talho" das modas primaveris, de repente ver alguém sem identidade... Assustador. Compreendo porque se tornou proibido andar de burka, para mim há tradições e tradições, costumes e costumes...
Friday, October 19, 2007
Em revisão

Olho para esta semana e parece que, conscientemente, só começou ontem. No entanto, o meu "despertar" revelou-se turbulento pelas notícias que me rodeavam, o S Lopes volta à ribalta política, não só como presidente de bancada como número dois do partido, para poder continuar a sua bela ascenção, que já ficou comprovada em resultados anteriores. Não percebo como isto é possível e só me pergunto se quem votou PSD ou quem foi votar nas directas se se sente contente? Pior que um circo dos mais pulguentos, é esta política.
Outro ponto, os jornalistas desportivos (só conheço os da rádio), não deviam gostar de futebol, isto porque ao invés de moderar ou fazer uma entrevista onde o material fosse isento, não o conseguem, derretem-se em deferências e em tons de voz melosos e apaixonados, além de alguns paternalismos para exemplos como Scolari.
Nota positiva, as manhãs da Antena Dois estão bem melhores, foram saneadas do pedantismo e agora têm um bom locutor (já o tinha ouvido na Antena 1).
Resumindo, parece que hoje acordei com os pés do lado errado da cama, mas não... até estou bem disposto.
Thursday, October 18, 2007
Programa para o fim-de-semana
E para o fds planeio:Uma visita ao Amadora Cartoon;
Talvez uma prainha
E a festinha de anos da minha pequerrucha :)
O Natal veio mais cedo
O Natal veio mais cedo, com o IVA, e bem... cá está ela, com jogos para toda a familia (de outra forma não teria interesse) e leitor de MP3. Confesso que foi um apelo das minhas costelas flutuantes de engenheiro. Também dá como GPS....
Wednesday, October 17, 2007
Na Póvoa
Tenho saudades da Póvoa (do Varzim), saudades do mar agreste, da humidade matinal, do céu estrelado e de um longo passeio na marginal. Lembro-me dos restaurantes de bom gosto, das casas a um estilo fin de siécle, das pessoas que se aprumavam na ostentação do bom trabalho ourives. As recordações pedem que sejam revividas em novos tempos :)
Monday, October 15, 2007
De algumas coisas
Numa breve associação de ideias cheguei à conclusão que o amor é como a condução, acabamos por ganhar hábitos e já fazemos as coisas inconscientemente mas se não prestarmos atenção a todo o momento da condução, acabamos por ter um acidente :)Já agora, vale a pena ver o filme "the bow", é coreano e muito interessante, de uma simplicidade e mudez que muito fala.
Outro ponto... o guia da noite... mmmmmm.... muito interessante a todos os níveis.
aaaaah
Wednesday, October 10, 2007
Tuesday, October 09, 2007
Ai os lírios
Não dá mesmo para fazer planos, por isso resta viver um dia de cada vez e, como se vive um dia de cada vez sem planear?Diria alguém, olhai os lírios do campo, mas os lírios não se perturbam por si, não fantasiam, não idealizam, não ensejam... se lhes tirarem a terra e o sol, o que lhes acontece? Por isso não quero ser lírio, algures no tempo começaria a pensar no meu sol e apareceriam nuvens e vento, pensaria na terra e viriam as pragas do Egipto, quereria ouvir o vento e ele se ausentaria.
Por mais que resista terei que aprender.
Acordai
Hoje ouvi uma heróica de Fernando Lopes Graça, com a fabulosa letra de José Gomes Ferreira. Para quem conhece, a música arrepia mesmo e a mensagem...
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
Monday, October 08, 2007
três dias
Estes dias foram de azáfama, a celebração da República foi substituida por outra, digamos, bem mais importante de 33 anos; o fim-de-semana, numa bela companhia de quase cinco anos, foi recheada de bons momentos, cinema, passeio e sol mas, com tantas voltas que o fim de dia, no domingo, chegou com queda directa ao sofá. Nota: a minha pequerrucha ainda me ensinou a jogar D&D e gostou bastante de ouvir um pequeno concerto de música sacra no Chiado.Fica aqui uma passagem do Stardust, uma bela lição:
Yvaine: You know when I said I knew little about love? That wasn't true. I know a lot about love. I've seen it, centuries and centuries of it, and it was the only thing that made watching your world bearable. All those wars. Pain, lies, hate... It made me want to turn away and never look down again. But when I see the way that mankind loves... You could search to the furthest reaches of the universe and never find anything more beautiful. So yes, I know that love is unconditional. But I also know that it can be unpredictable, unexpected, uncontrollable, unbearable and strangely easy to mistake for loathing, and... What I'm trying to say, Tristan is... I think I love you. Is this love, Tristan? I never imagined I'd know it for myself. My heart... It feels like my chest can barely contain it. Like it's trying to escape because it doesn't belong to me any more. It belongs to you. And if you wanted it, I'd wish for nothing in exchange - no fits. No goods. No demonstrations of devotion. Nothing but knowing you loved me too. Just your heart, in exchange for mine.
Sunday, October 07, 2007
O Juramento do Árabe
Baçus, mulher de Ali, pastora de camelas,
Viu de noite, ao fulgor das rútilas estrelas,
Vail, chefe minaz de bárbara pujança,
Matar-lhe um animal. Baçus jurou vingança,
Corre, célere voa, entra na tenda e conta
A um hóspede de Ali a grave e inulta afronta,
"Baçus, disse tranquilo o hóspede gentil,
Vingar-te-ei com meu braço, eu matarei Vail."
Disse e cumpriu.
Foi esta a causa verdadeira
Da guerra pertinaz, horrível, carniceira
Que as tribos dividiu. Na Luta fratricida,
Omar, filho de Anru, perdera o alento e a vida.
Anru, que lanças mil aos rudes prélios leva,
E que, em sangue inimigo, irado, os ódios ceva,
Incansável procura, e é sempre em balde, o vil
Matador de seu filho, o traidor Mualhil.
Uma noite, na tenda, a um moço prisioneiro,
Recém-colhido em campo, o indómito guerreiro
Falou, severo, assim:
" Escravo, atende e escuta:
Aponta-me a região, o monte, o plaino, a gruta,
Em que vive o tridor Mualhil, diz a verdade;
Dá-me que o alcance vivoi, e é tua a liberdade!"
E o moço perguntou:
"É por Alá que o juras?"
"Juro" - o chefe tornou -
"Sou o homem que procuras!
Mualhil é o meu nome, eu fui que espedacei
a lança de teu filho, e aos pés o subjuguei!"
E intrépido, fitava o atónito inimigo.
Anru volveu: "És livre, Alá seja contigo!"
Gonçalves Crespo, de "Nocturnos"
Viu de noite, ao fulgor das rútilas estrelas,
Vail, chefe minaz de bárbara pujança,
Matar-lhe um animal. Baçus jurou vingança,
Corre, célere voa, entra na tenda e conta
A um hóspede de Ali a grave e inulta afronta,
"Baçus, disse tranquilo o hóspede gentil,
Vingar-te-ei com meu braço, eu matarei Vail."
Disse e cumpriu.
Foi esta a causa verdadeira
Da guerra pertinaz, horrível, carniceira
Que as tribos dividiu. Na Luta fratricida,
Omar, filho de Anru, perdera o alento e a vida.
Anru, que lanças mil aos rudes prélios leva,
E que, em sangue inimigo, irado, os ódios ceva,
Incansável procura, e é sempre em balde, o vil
Matador de seu filho, o traidor Mualhil.
Uma noite, na tenda, a um moço prisioneiro,
Recém-colhido em campo, o indómito guerreiro
Falou, severo, assim:
" Escravo, atende e escuta:
Aponta-me a região, o monte, o plaino, a gruta,
Em que vive o tridor Mualhil, diz a verdade;
Dá-me que o alcance vivoi, e é tua a liberdade!"
E o moço perguntou:
"É por Alá que o juras?"
"Juro" - o chefe tornou -
"Sou o homem que procuras!
Mualhil é o meu nome, eu fui que espedacei
a lança de teu filho, e aos pés o subjuguei!"
E intrépido, fitava o atónito inimigo.
Anru volveu: "És livre, Alá seja contigo!"
Gonçalves Crespo, de "Nocturnos"
Friday, October 05, 2007
Por Burma
International bloggers are preparing an action to support the peaceful revolution in Burma. We want to set a sign for freedom and show our sympathy for these people who are fighting their cruel regime without weapons. These Bloggers are planning to refrain from posting to their blogs on October 4 and just put up one Banner then, underlined with the words „Free Burma!“.more here...
A liberdade não deve ser apenas um conceito, um objectivo pessoal ou uma questão de moda, deve começar interiormente, pela vontade de ser um direito, até para aqueles que nós achamos que não a merecem.
Thursday, October 04, 2007
Tuesday, October 02, 2007
Dia da não violência
Porque a violência começa em nós próprios para com nós próprios e para com os que nos são próximos. Violência física nem sempre é a pior.
Sunday, September 30, 2007
reflexos
Conversavam, alegremente, entre garfadas e uns copos. Ele, brincalhão, com ar reguila da mocidade que vibra ao vento de carros rápidos; Ela, com o olhar de mais uns anos em cima, pele seca feita de lençol branco cheio de estrelas. A sua mão movia-se num gesto carinho, quase afagando o cabelo curto dele e ele ria-se. Novamente, quase um toque, desta vez no rosto e o riso dele permanecia.Ele olhava-a, agora, atentamente. Os seus olhos reflectiam interrogação, quiçá, carinho. Estavam de frente um para o outro, o beijo era esperado a qualquer altura, o abraço tornar-se-ia longo, aquecido pelo desejo despertado a sabores de vinho. O seu braço estendeu-se e ela não estava lá.
Olhando, mais atentamente, ela era etérea, fugaz, um reflexo no vidro que produziu toda a história em que quis acreditar. Na verdade, nenhum dos dois se conheceu, tudo era uma coreografia de salas opostas, que por algum acaso resultou. Ela estava sentada ao meu lado, não me lembro do seu nome.
Friday, September 28, 2007
E aí vai
Thursday, September 27, 2007
Wednesday, September 26, 2007
Nestes dias
Por estes dias, tantas coisas acontecem que as palavras ficam para trás. O tempo torna-se num exercício de gestão, as tarefas entram e saem, equalizo os vários níveis de prioridades e reservo sempre um espaço especial, único e absoluto para duas. Confesso que nos dias de hoje é muito fácil perder o norte do que é importante, é muito fácil deixar de ouvir e sentir, há tanto para fazer e tanto mais ficará por fazer. Com tempo vejo que a idade traz mesmo sabedoria, que a experiência de vida enriquece, que todos os pesos se tornaram em candeias que me iluminam o caminho diário.Nestes tempos poucas coisas têm sido fáceis e vejo tanto que se esfuma no que eu pensava que seria meu ou no que achava que tinha já atingido. Os planos mudam constantemente e a minha vontade vai-se diluindo, de uma forma anestésica vou deixando de querer e também de me preocupar em querer. Nestes dias vou sendo, sou e o tempo está além. Essencialmente sei qual o meu fim, a minha estação terminal a questão está apenas entre os apeadeiros e alguns tuneis um pouco mais longos. Muitas vezes a viagem faz-se só, apesar de alguns estarem presentes, é uma questão de atenção.
Tuesday, September 25, 2007
Uma prenda
Vem do outro lado do mar, de uma distância longa mas que todos os dias está tão perto. Há amigos assim, tão raramente apartados.Quando escrevo, repito o que já vivi antes.Mais aqui...
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens.
João Guimarães Rosa
Heartbeats
Há muito tempo que não ouvia musica no quarto, esta foi uma das da playlist.
Heartbeats - Jose Gonzales
one night to be confused
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then away
both under influense
we had devine scent
to know what to say
mind is a razorblade
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
one night of magic rush
the start a simple touch
one night to push and scream
and then releaf
ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
and you, you knew the hands of the devil
and you, kept us awake with wolf teeths
sharing different heartbeats
in one night
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
Heartbeats - Jose Gonzales
one night to be confused
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then away
both under influense
we had devine scent
to know what to say
mind is a razorblade
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
one night of magic rush
the start a simple touch
one night to push and scream
and then releaf
ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
and you, you knew the hands of the devil
and you, kept us awake with wolf teeths
sharing different heartbeats
in one night
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
Sunday, September 23, 2007
Friday, September 21, 2007
relax
Thursday, September 20, 2007
A oriente
O TAO DA SERENIDADE E DA ALEGRIAO Tao é o caminho, o Chi é a energia.
Observa a flor que desabrocha no momento certo.
Ela sorri para as gotinhas de orvalho e para o sol.
No seu sorriso está o Chi.
Ela não pensa, mas a sua sensibilidade agradece ao Tao.
Observa a cascata que corre por entre as pedras.
Ela nunca olha para trás.
O seu destino são as grandes águas.
Ela corre junto com o Chi e sente o Tao.
Sorve tranquilamente uma caneca de chá morno.
Pensa que cada gole é o Tao.
Faz isso de olhos fechados e medita.
Sê suave, amigo e sereno.
Nunca renegues a ti mesmo.
Para o Tao, tudo é sagrado.
Os opostos são alternâncias do Chi.
Yin e Yang são irmãos, equilíbrio é paz.
Persevera nos bons princípios.
Fecha os olhos, e sente-te com paciência.
Junta as mãos em frente ao peito.
Faz o azul do céu entrar na tua testa.
Arremessa para longe a arrogância.
Agradece ao Tao, venera a vida.
Sê flor e cascata, saúda o Chi.
Limpa as emoções, sê sereno.
Wednesday, September 19, 2007
Amizade
Por vezes pergunto o que posso receber e muitas vezes pergunto o que posso dar, no fim de contas, amizade é gratuita, para dar e receber. Por vezes, o que parece ser mais um dizer, é algo um pouco mais sentido, pela experiência de vida, tudo depende com que ouvidos se ouve e o que ainda queremos na vida.
Tuesday, September 18, 2007
Sem título
Sei que me devia deitar mais cedo mas vou descobrindo sempre algum prazer que me alonga na noite.Ao longo da muralha
Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny
Supergirl
E diz com toda a razão
"Uma grande tentação nossa é a de absolutizar. Pegar num acontecimento negativo e dizer: «é tudo assim». Olhar um problema sério e não ser capaz de ver mais nada para além disso. Absolutizar cega e escraviza. O caminho é, pois, o de relativizar, não tirar do contexto, ver também o resto dos acontecimentos e, depois, relacionar com outras exigências. Relativizar e relacionar. Começa aí o caminho de paz."(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'
Monday, September 17, 2007
Até contra mim perco
O tesouro
No anos, recebi da minha irmã, um livro da Selma Lagerlöf - o Tesouro. São apenas cento e poucas páginas e devoram-se os capítulos como quem corre para vencer. É uma história simples, de construção interessante que vale a pena ler. Da Cavalo de FerroO Senhor Arne fora um dos homens mais ricos e mais respeitados da região. Contudo foi tragicamente morto juntamente com todos os seus criados e uma sobrinha com menos de catorze anos. A velha mansão de família foi incendiada e o tesouro foi levado.
A única sobrevivente foi a jovem orfã Elsalill que vivia com a sobrinha do Senhor Arne mas que não se lembra do que sucedeu.
Na pequena cidade costeira, os habitantes perguntam-se o que se passa com a natureza, estamos quase no Verão e o mar continua gelado. Três nobres viajantes esperam que o seu barco desencalhe para partir com o seu misterioso baú. Um deles, um homem elegante e bem vestido, reconhece a jovem Elsalill que tinha começado a trabalhar na estalagem. Elsalill não se lembra deste homem e entre eles nascem emoções fortes e inesperadas...
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