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Wednesday, May 16, 2007

Georges Braque

Hoje há Georges Braque. Fauve, cubista, "criador" da Collage, da geometria à paisagem, terminou com a simplicidade das formas, como este "l'oiseau bleu et gris" que completou em 1962, um ano antes da sua morte. Este período da sua obra, dos pássaros, creio-o como uma forma bela de ver a liberdade e o ensejo por tal. As formas são simples, as texturas, complexas, no detalhe de um pincel largo que se arrasta na tela. Em casa tenho um, que gosto tanto que nem sei onde colocar. Lá está a complexidade que dou às coisas simples :)

Tuesday, April 03, 2007

Inevitabilidade

Perante este quadro fica a dúvida do que é mais idílico, se a composição Arcadiana ou se a beleza da jovem, por si só. O belo é o tema, a nudez é parte integrante e natural, é como se tudo fosse assim e não houvesse razão para ser diferente. É o espírito clássico onde tudo é perfeito e harmonioso, onde as formas têm a arquitectura de um templo, onde o olhar é o tranquilo tom de terra complacente e onde o sorriso, a defesa da inevitabilidade. No entanto, apesar dos seus esforços de resistir, o coração está descoberto e Eros, sempre jovial e energético, acabará por acertar com a sua seta. É, sem dúvida, um tema primaveril.

"Jovem rapariga a defender-se de Eros"
Adolphe William Bouguereau - 1880
Getty Museum

Thursday, March 29, 2007

Pré-rafaelitas, revisitar o periodo em Portugal


Sempre fui um apaixonado do periodo victoriano e, mais concretamente na arte, do movimento pré-rafaelita. Para mim, o maior "apóstolo" foi, sem dúvida, Eduard Burne-Jones. Há décadas, quando visitava o museu da Gulbenkian, parava sempre diante deste quadro. Admirava o contorno perfeito, belo e delicado das figuras, o toque do revivalismo clássico e o motivo singelo da composição. Todos os elementos apontam para a beleza ideal e perene, para a exaltação clássica helénica e sem dúvida para o sentimento nostálgico.
Um dos motivos de ter tanto "orgulho" e contentamento por termos o legado do sr. Gulbenkian, é mesmo este quadro, claro que isto é um gosto muito pessoal mas, sabe-me bem ter uma peça que adoro, mesmo perto de casa, sem ter que me deslocar ao British Museum (sabe-se lá quando isso voltaria a ser possivel).

Monday, March 12, 2007

Frei Carlos, no melhor da pintura portuguesa do sec. XVI

Anunciação, Frei Carlos
c. 1520, óleo sobre madeira 197 x 189 cm
Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa

Frei Carlos
Monge pintor, do antigo convento do Espinheiro, junto a Évora, foi um dos maiores pintores do século XVI português, na pintura retabular.
E porquê um dos maiores pintores portugueses?
Procurei preencher a minha manhã de domingo na visita à exposição "o Brilho das Imagens", no museu de Arte Antiga. Enquanto aguardava revisitei, com uma atitude mais pausada e atenta, algumas peças do Museu. Redescobri a "Anunciação" e fixei-me, no tempo que quis, nessa contemplação.
infelizmente sempre considerei a pintura portuguese, até ao classicismo, pobre, quase uma mera imitação de fraca qualidade do que se fazia noutros paises, bem mais abastados culturalmente. Mas retiro o que sempre disse e aconselho a quem lá for, que pare um momento perante esta Obra de Arte e contemple. Permitam-se a ser como uma máquina fotográfica com o diafragma aberto ao máximo, envolvendo-se na riqueza das cores, personagens e detalhes. Melhor que ler é, sem dúvida, ir ver. E já agora visitem também "o Brilho das Imagens", que é excelente, mas cuidado, caso sejam susceptíveis ao sofrimento representativo do sec. XIV, principalmente à cruz dos místicos.